6.14.2006

Havias de ter gostado de Pichet Klunchun and Myself

Havias de ter gostado de Pichet Klunchun and Myself. Tudo se passa como se se tratasse da reconstituição do primeiro encontro entre os dois coreógrafos. Jérôme Bel começou por lhe perguntar o nome, idade, onde vivia, até entrarmos na descodificação do khon, dança tradicional que constituiu a base de formação de Pichet. O tailandês deu então exemplos de movimentos característicos dos personagens da dança khon e era esplendoroso. O corpo de Pichet é seco até aos ossos e músculos e movimenta-se com enormes rigor e graciosidade. Havias de ter gostado de o ter visto dançar e conversar. As diferenças culturais entre Oriente e Ocidente eram problematizadas com naturalidade: eles muito mais ligados à tradição, pacientes e sérios; nós, representados por Jérôme Bel, mais inquietos, conceptuais, sempre em busca do novo. A entrevista assumia no final a direcção oposta e passava a ser Pichet Klunchun que fazia as perguntas e Jérôme Bel a "dançar" as respostas. Havias de ter gostado de ver como existe aparentemente resposta para tudo sem que as coisas percam a sua complexidade ontológica. Havias de ter gostado de assistir a este espectáculo tão pouco espectacular (marcado ainda pelas leituras situacionistas de Bel) mas tão verdadeiro.

Arquivo do blogue