9.02.2009

Il y a longtemps que je (L)'aime















Momentos antes da aula de yôga ter início, alguém dizia ter visto nas férias a actriz Kristin Scott Thomas, acompanhada dos filhos, na praia da Comporta. A máquina dos sonhos pôs-se em movimento. Perdi a conta ao número de takes. Fixou-se na memória qualquer coisa assim: eu saindo do mar na direcção dela, as crianças por perto, e quando o nosso olhar se cruzou, “Excuse me. I’ve loved you so long. May I kiss you?", e dois beijos na face depois, “I think you’re a very beautiful woman, and a wonderful actress. Enjoy your holidays!" Ainda pensei que me convidasse para jantar (ingénuo). Entrei em casa, comi em silêncio, servi-me do primeiro uísque quando começava o filme de Philippe Claudel. Ela estava ali desde a primeira imagem. Dedos amarelados, fumando, nervoso miudinho. Nunca antes a vira tão comum e tão vulnerável. O filme, de um pudor emocional comovente, não disfarçava a sua mediania formal: a fazer lembrar o melhor André Téchiné, em menos bom. As implicações da história, suportadas por uma dramaturgia em surdina, tratando da aproximação de duas irmãs separadas durante 15 anos, por uma delas (Juliette/ Kristin Scott Thomas) haver sido condenada depois de ter posto fim à vida do filho que sofria de doença degenerativa. Philippe Claudel mostrou-se sobretudo um argumentista de grande sensibilidade, e um director de actores atento ao potencial revelador da mais fugaz expressão: das muitas que lhe ofereceu o rosto de Scott Thomas. Quando a encontramos, iniciamos um processo de aprendizagem que evolui à medida que as restantes personagens fazem o seu trabalho de reconhecimento. Juliette é alguém de quem os outros falam a partir do que sobre ela ouviram dizer, e que paradoxalmente procura abrigo no silêncio enquanto refaz a vida. Que espaço têm jantares com Kristin Scott Thomas, na Comporta, sem as crianças, nisto tudo? Vivo de vaga em vaga divagando.

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