É possível encontrar nas lojas de usados pelo menos um CD de Roger Eno (n. 1959), o discreto irmão de Brian sobre o qual a informação é, na proporção inversa, escassa: até no próprio site. O CD chama-se Lost in Translation e foi gravado na primeira metade da década de 90. Este Eno não foge à regra de atracção pelo ambientalismo, mas ao contrário de Brian que fez gerar novos mundos (com base em novas possibilidades), acrescentados ao que dos sons e da sua organização em música era por nós conhecido, Roger encetou o movimento oposto na direcção do bucolismo e dos idiomas perdidos no tempo. A música de Roger Eno aproxima-se em Lost in Translation da conjugação do impressionismo pastoral (passe o quase pleonasmo) de Virginia Astley, com melodias que parecem trazidas da herança celta, e com o canto gregoriano. O disco sugere a espaços o revisionismo xaroposo de Enya, reforçado pela crescente adesão a universos de mitos e lendas demasiadas vezes tratados de modo púbere. Vale a Roger Eno um princípio de despojamento onde impera a pequena forma, a insinuação melódica que se furta à grandiloquência da História e do drama. E depois há um desejo de anonimato, expresso até na organização dispersa das notas que acompanham o disco, que parece querer libertar a música de quem lhe deu - ou lhe perpetuou a - origem. O que Roger Eno terá ido buscar a outros (às fontes históricas ou aos espaços naturais), parece não querer aqui reclamar para si. No exacto oposto da popularidade e do reconhecimento justo votado a seu irmão Brian Eno (que em Maio deste ano celebra o sexagésimo aniversário; como não me canso de referir), o anónimo Mr. Eno mantém-se ligado à música e de vez em quando dá notícias. Onde Roger observa, Brian intervém.
4.16.2008
O anónimo Mr. Eno
É possível encontrar nas lojas de usados pelo menos um CD de Roger Eno (n. 1959), o discreto irmão de Brian sobre o qual a informação é, na proporção inversa, escassa: até no próprio site. O CD chama-se Lost in Translation e foi gravado na primeira metade da década de 90. Este Eno não foge à regra de atracção pelo ambientalismo, mas ao contrário de Brian que fez gerar novos mundos (com base em novas possibilidades), acrescentados ao que dos sons e da sua organização em música era por nós conhecido, Roger encetou o movimento oposto na direcção do bucolismo e dos idiomas perdidos no tempo. A música de Roger Eno aproxima-se em Lost in Translation da conjugação do impressionismo pastoral (passe o quase pleonasmo) de Virginia Astley, com melodias que parecem trazidas da herança celta, e com o canto gregoriano. O disco sugere a espaços o revisionismo xaroposo de Enya, reforçado pela crescente adesão a universos de mitos e lendas demasiadas vezes tratados de modo púbere. Vale a Roger Eno um princípio de despojamento onde impera a pequena forma, a insinuação melódica que se furta à grandiloquência da História e do drama. E depois há um desejo de anonimato, expresso até na organização dispersa das notas que acompanham o disco, que parece querer libertar a música de quem lhe deu - ou lhe perpetuou a - origem. O que Roger Eno terá ido buscar a outros (às fontes históricas ou aos espaços naturais), parece não querer aqui reclamar para si. No exacto oposto da popularidade e do reconhecimento justo votado a seu irmão Brian Eno (que em Maio deste ano celebra o sexagésimo aniversário; como não me canso de referir), o anónimo Mr. Eno mantém-se ligado à música e de vez em quando dá notícias. Onde Roger observa, Brian intervém.
por r.g. às
13:50
Arquivo do blogue
-
▼
2008
(189)
-
▼
Julho
(24)
- Força e técnica
- Hombre
- Silêncios Universais/ minor characters
- A culpa é da vontade
- O homem intranquilo
- Lourenço 1, 2, 3
- Good moanin'
- Vida e morte
- Como fazer coisas com as imagens
- Para o homem que não sabe o que quer
- Um clube diferente
- Finalmente em ZONA 2
- Fui ver o teu blogue e é só música, eh eh eh
- Olhó passarinho
- Remind me
- Mick rockers
- Cântico das criaturas
- Stephen McBean
- Canada dry
- Black mountain rules
- A arte do romance
- Coisas que melhorarão algumas vidas*
- Branco de neve
- Žižek che visse due volte
-
►
Junho
(28)
- Tate Gallery
- Blur
- Algum tempo reencontrado
- Entrar em pânico
- Send us your coordinates, we'll send a St. Bernard...
- La... la la la... TARATATA TA TA TA TA
- Entrar pelas traseiras
- Viva Albert Cossery
- Tattoo me
- Kalkitos
- Sonho profundo
- Diz-me Pierrot
- Má "R"aça
- Espaço 1987
- Super-Homem
- A origem da espécie
- Gostar de lobos
- Marchas populares
- Admirável Cesariny
- Respirar debaixo de água
- O meu reino por este livro
- Disco da semana
- A escolha
- Ex-Devaneios?
- Recordar Pollack
- O que há num rosto
-
▼
Julho
(24)