12.11.2008

Hirto e firme


























Cem anos de vida, e várias décadas a fazer o que gosta.

12.10.2008

As listas (what else?)

Primeiro as minhas, depois as vossas.


10 discos que mais gostei de ouvir em 2008:





















American Music Club, The Golden Age;
Arve Henriksen, Cartography;
Black Mountain, In the Future;
Camané, Sempre de Mim;
Dennis Wilson, Pacific Ocean Blue;
Jun Miyake, Stolen From Strangers;
Marcin Wasilewski Trio, January;
Paolo Conte, Psiche;
Robert Forster, The Evangelist;
Thomas Feiner & Anywhen, The Opiates (revised).


10 filmes que mais gostei de ver (em sala) em 2008:


















Antes que o Diabo Saiba que Morreste, de Sidney Lumet;
Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes;
Corações, de Alain Resnais;
The Darjeeling Limited, de Wes Anderson;
Into the Wild, de Sean Penn;
No Country for Old Men, de Joel Coen;
Nós Controlamos a Noite, de James Gray;
O Segredo de um Cuscuz, de Abdellatif Kechiche;
Sweeney Todd, de Tim Burton;
WALL-E, de Andrew Stanton.


10 blogues que mais gostei de visitar em 2008:





















As Aranhas;
A Origem das Espécies;
E Deus Criou a Mulher;
Estado Civil;
Menina Limão;
Provas de Contacto;
Sound + Vision;
Tradução Simultânea;
Vidro Duplo;
Vontade Indómita.

Surf's up


12.09.2008

Prometida de outro

Europa profunda




















As geografias de Arve Henriksen e de David Sylvian ter-se-ão interceptado mutuamente por alturas da constituição do projecto Nine Horses, que faz alinhar também o irmão de Sylvian, Steve Jansen, e o mago da polirritmia electrónica, Burnt Friedman. Sylvian encontrou em Henriksen uma sensibilidade próxima de outro músico enorme, igualmente trompetista, igual experimentador dos resultados decorrentes da transformação de sons acústicos por via das electrónicas, que é Jon Hassell, que com Sylvian havia participado no arranque da discografia a solo deste. Henriksen colaborou recentemente na criação do ambiente sonoro, conduzida por David Sylvian, que após utilização numa instalação de arte contemporânea na ilha japonesa de Naoshima veio a conhecer edição discográfica. Arve Henriksen, por sua vez, foi constituindo assinalável discografia na Rune Grammophon, espécie de ECM das identidades musicais vanguardistas do norte da Europa, até que em 2008 é na própria ECM que edita Cartography, onde reúne aos mais regulares cúmplices o nome de David Sylvian (que lê textos seus que evocam simultaneamente uma vontade de evasão e um desejo de comunhão num qualquer espaço tão retirado do mundo que possibilite que a união se dê harmoniosamente aos níveis físico e espiritual).
























A materialidade dos sons e a sua evanescência na espiritualidade do conjunto que é a música, é o que se dá a escutar em Cartography, e se por um lado é um trabalho reconhecível na evolução da discografia de Arve Henriksen, as múltiplas contribuições aqui reunidas e o modo como as mesmas foram integradas em cada composição, reflectem a maior complexidade mas não menor fluidez do estado actual da (re)composição de Arve Henriksen: algo que poderíamos situar entre Arvo Pärt e o melhor Sigur Rós, o David Sylvian de Gone to Earth e de Approaching Silence, o Miles Davis "exótico" das músicas para filmes, e o impressionismo japonês de Toru Takemitsu soprado por uma flauta shakuachi (justamente o som que Henriksen procurou reproduzir na sua estreia para a Rune Grammophon, Sakuteiki).









O que as meditações faladas de David Sylvian vêm a acrescentar a Cartography, é de ordem semelhante ao efeito provocado pela narração de Max von Sydow no início e fim de um dos melhores (e dos não menos formalistas) filmes de Lars von Trier, Europa. A indução de um estado que mimetiza uma hipnose controlada que ajuda a transportar o conjunto das peças para uma zona ainda mais interior onde os ecos gerados pelos vários recursos electroacústicos reverberarão na caixa onde guardamos o que nos é precioso e íntimo.
O jeito é proceder à contagem mental decrescente e deixar que o disco nos conduza para onde tiver de ser, e por um trajecto de algumas sombras e de muitas iluminações.

12.05.2008

As notícias da "sua" morte foram exageradas
























O espírito musical de Hector Zazou (1948-2008) vive agora no corpo conhecido de Jun Miyake, e com ele regressam também Arto Lindsay (que não grava em nome próprio desde 2004) e o sempre bem-vindo Vinicius Cantuária. Mas há outros. Esta verdadeira operação criativa transglobal é denominada Stolen From Strangers. Pergunto: quando foi a última vez que escutaram um álbum que surpreendesse a cada instante sem o mínimo sobressalto ou pirueta estética? Respondem: «Whether Miyake is the new Gil Evans or merely the new Bacharach, he's made a fantastic album.» Concordo, por inteiro.

Sonho

Quis de tal maneira fixar o sonho que acabou sonhando que fixara o sonho que tinha sonhado.

12.04.2008

Vanina















O fascínio exercido pelo filme de Zurlini explica-se com as palavras que alguém usa para descrever Vanina Abati (Sonia Petrovna), sobre o peito da qual repousa Daniele Dominici, na imagem, na véspera da primeira noite de quietude. Ela é uma rapariga com "muito passado, pouco presente, e nenhum futuro." Assim é também La Prima Notte di Quiete: um filme assombrado pelo passado dos protagonistas (vícios e morte); que decorre na zona costeira de Rimini, deserta por não ser Verão; que filma o quotidiano promíscuo e auto-destrutivo de um conjunto de pessoas que se encontram numa espécie de beco de única saída. Este Zurlini faz a súmula da náusea existencialista de Antonioni (O Eclipse, O Deserto Vermelho), da pulsão decadentista de Visconti (Conversation Piece, O Inocente), e da fúria niilista de Bertolucci (O Último Tango em Paris, e as semelhanças do Brando desse filme com o Delon do Zurlini vão além do facto de ambos usarem um sobretudo idêntico como uma segunda pele).

12.03.2008

Uma outra história de violência


















Num dos extras da edição DVD de Eastern Promises/ Promessas Perigosas, de David Cronenberg, o actor Viggo Mortensen relata a experiência de preparação para interpretar um motorista da Máfia Russa em Londres, e explica como a história de vida dos seus elementos, tradicionalmente regidos por um código apertado (o dos vory v zakone), se encontra inscrita nas tatuagens que preenchem os corpos. Muitas feitas na prisão e que marcam episódios de roubo ou homicídio, outras que assinalam rituais de promoção na hierarquia do grupo. Mortensen diz ainda que se algum ladrão forjasse as suas tatuagens e fosse descoberto, que estas lhe seriam arrancadas do corpo com uma faca semelhante às que o filme de Cronenberg mostra e que servem para degolar rivais. Os episódios que dão conta da relevância que as tatuagens assumem no universo da Máfia Russa vieram a influenciar a reescrita do argumento, ou não fosse Cronenberg um entusiasta do que diz respeito à contaminação, mutilação e transformação do corpo, e do modo como exteriorizamos processos de metamorfose particular e íntima. Nota-se que gostei muito de rever Promessas Perigosas, e parte da experiência gratificante que agora tive tem também a ver com o facto de ter identificado uma costela bíblica na história da bebé que por duas vezes é salva de morrer antes de se tornar filha (adoptiva, logo, de imaculada concepção para a segunda mãe) da enfermeira Anna, que lhe dará o nome de Christine (com alguma boa vontade pode ler-se Cristo em Christine). Quanto à personagem de Viggo Mortensen, o implacável taciturno Nikolai Luzhin, de improvável par de Anna (Naomi Watts), coisa que Cronenberg só muito ligeiramente sugere, terminará só e todo poderoso como um deus que tivesse ascendido a essa categoria independentemente da sua real vontade. Um deus que poderá doravante manter a própria história coberta da cabeça aos pés.

12.02.2008

O esteta da paixão


























A caixa Valerio Zurlini (1926-1982), que a Costa do Castelo colocou há dias no mercado, é talvez a mais importante edição videográfica de 2008. Há algum tempo que desejava descobrir outros filmes do realizador italiano, depois de ter visto, no mesmo dia, na Cinemateca, La Prima Notte de Quietti (1972) e O Deserto dos Tártaros (1976), duas obras-primas absolutas e absolutamente distintas entre si. Parti então directo para os títulos que a caixa também traz e que me faltava ver: o que veio a suceder novamente num único dia.
A Rapariga da Mala (1961) ilustra de início até final uma frase que eu ouvira a um amigo, que por sua vez lhe tinha sido confiada pelo seu pai. A frase usava palavras brutais mas na prática dizia, "Quando vires uma mulher muito bela, lembra-te que há sempre um homem que está farto dela." A protagonista deste Zurlini chama-se Claudia Cardinale (Aida) e encontrava-se no apogeu da beleza. Mas é também um corpo abandonado, desde logo nas primeiras cenas. E é ainda uma mulher à deriva na sua história de sedutora incompetente (inconsequente) que participa de uma dupla natureza: é capaz de deslumbramentos de adolescente que sonha com uma vida de princesa (junto do duque de Edimburgo, seu herói das revistas de coração), e por outro lado manifesta um desencanto e uma amargura de quem se limita a sobreviver dia após dia e logo cede às atenções rasteiras dos homens que a cercam. É bem possível que nos apaixonemos e desapaixonemos várias vezes por esta "rapariga da mala". Tal ambivalência é algo que Zurlini gere brilhantemente. É o que acontece no final com o jovem Lorenzo, e aquilo que traduz o conteúdo do envelope que este deixa a Aida na estação de comboios que o cinema de Valerio Zurlini carrega com a fatalidade das despedidas. E nesses instantes finais Lorenzo torna-se um homem, nem mais nem menos cínico do que qualquer outro.
Dois anos antes da ragazza, Zurlini havia dirigido outro drama que dava igualmente conta da paixão entre um jovem adulto e uma mulher mais velha: uma viúva de trinta e poucos anos (que nos tempos actuais corresponderia a uma mulher na ternura dos quarenta). Verão Violento (1959) passa-se por alturas da II Grande Guerra e trata de um amor que tem por obstáculo, da parte dela, as convenções sociais e a carga opressiva da família; da parte dele, e nessa feliz formulação apresentada por Vasco Câmara no texto nobre a caixa Zurlini do último Ípsilon, a "deserção de consciência". A história do par e da sua paixão adulta (ao contrário do enamoramento de Lorenzo n'A Rapariga da Mala, vivido aos 16 anos) é filmada com enorme subtileza ao longo do ritual de afastamento e aproximação (condicionado pela resistência dela, a esplendorosa Eleonora Rossi Drago - na imagem acima junto de Jean-Louis Trintignant), até que os amantes caiam nos braços um do outro. Este Verão Violento tem para mim a força de um The End of the Affair (recordando aqui a excelente adaptação trazida por Neil Jordan, com Ralph Fiennes e Julianne Moore nos principais papéis). Amor e Renúncia, a combinação perfeita no cinema. Filmadas com o pudor de um esteta dos sentimentos, matéria que com Valerio Zurlini temos todos muitíssimo a aprender.

11.28.2008

É preciso aprender a só ser




















Marcelo Camelo, metade criativa dos para mim por demais saudosos Los Hermanos, apresenta no Tivoli, na próxima quinta-feira, às 21h30, integrado no programa Superbock em Stock, o primeiro álbum a solo, Sou. Esta imagem, magnífica, faz parte de um conjunto de auto-retratos que merece também ser visitado.

Eterno retorno
























Devo agradecer a David Sylvian o facto de me ter apresentado à música (e aos sons, em pormenor) de Christian Fennesz quando eu possuía já um disco dele: Endless Summer. Descobri-o por alturas do encontro com outro álbum extremamente decisivo na formação do meu gosto pelo ambientalismo electrónico, que foi Radio Amor de Tim Hecker, que igualmente participava do espírito de intemporalidade das memórias de Verão de contornos mais ou menos definidos, traçadas a drones e glitches. Em todo o caso, o que veio a encurralar a minha atenção foi a base instrumental de A Fire in the Forest que encerrava o tremendo Blemish de Sylvian. O disco, todo em intimidade e auto-reflexão estendia-se ao formato de cinemascope por obra das abstracções sonoras de Fennesz e dos crescendos de que o músico ainda hoje não abdica. Também por isto, o novo Black Sea é não menos arrebatador, e à falta de palavras diferentes que traduzam o contínuo da discografia do austríaco, sobretudo dos três últimos CD's em nome próprio que no meio situam Venice (onde David Sylvian retribui a colaboração), volte-se a afirmar o carácter de espectralidade dos sons - guitarras dedilhadas, percutidas ou processadas, densos ou vaporosos mantos de electrónica, incidentes de uma geografia pessoal que volta a caminhar para o mar. Fennesz partilha do impulso romântico de procurar reproduzir sentimentos primordiais, que à força de serem continuamente reprocessados, vêm a tornar-se uma espécie de miragem. Isto é o melhor que se pode atingir, pois sabem os românticos avisados que só o simulacro é recuperável, o facto em si é um mito que cultivamos ao traçarmos em mito a nossa própria história.

Venham mais cinco

Quique solidário com Bento.

11.27.2008

I'm in love with Osteopathy


























O encontro com uma pessoa realmente competente pode fazer-nos pensar mudar de profissão.

11.20.2008

Cinemateca jubilada




















CLINT EASTWOOD: UM HOMEM COM PASSADO

«(...) Sem o reivindicar, o cinema de CLINT EASTWOOD transporta consigo a herança do cinema clássico americano. Ele prefere dizer que a sua memória visual foi formada por John Ford, Howard Hawks ou Raoul Walsh para se referir ao modo como eles compunham uma escola visual, como sabiam inscrever as personagens num ambiente mais vasto do que elas, como articulavam as escalas dos planos, como compunham os planos de conjunto, que conferiam aos filmes uma sensação geográfica e ligavam as personagens ao espaço. É a esta escola visual e narrativa que EASTWOOD pertence, percorrido um longo, e nem por isso linear, caminho.
Seguimo-lo numa retrospectiva integral, segundo a cronologia da obra como realizador e ilustrativa dos passos como actor sob direcções alheias. A retrospectiva prolonga-se por Janeiro e Fevereiro próximos e é acompanhada pela publicação de um catálogo.»

Primeiras projecções:

UNFORGIVEN
Imperdoável
de CLINT EASTWOOD
com CLINT EASTWOOD, Gene Hackman, Morgan Freeman, Richard Harris
Estados Unidos, 1992 - 125 min / legendado electronicamente em português

Sala Dr. Félix Ribeiro (Qui. 11, 21h30); Sala Luís de Pina (Seg. 15, 22h)

PLAY MISTY FOR ME
Destino nas Trevas
de CLINT EASTWOOD
com CLINT EASTWOOD, Jessica Walter, Donna Mills
Estados Unidos, 1971 - 102 min / legendado electronicamente em português

Sala Dr. Félix Ribeiro (Seg. 15, 19h); Sala Luís de Pina (Ter. 16, 22h)

THE BEGUILED
Ritual de Guerra
de Don Siegel
com CLINT EASTWOOD, Geraldine Page, Elizabeth Hartman, Jo Ann Harris, Darleen Carr, Mae Mercere, Pamelyn Ferdin, Melody Thomas, Peggy Drie
Estados Unidos, 1971 - 109 min / legendado electronicamente em português

Sala Dr. Félix Ribeiro (Ter. 16, 19h); Sala Luís de Pina (Qua. 17, 19h30)

HIGH PLAINS DRIFTER
O Pistoleiro do Diabo
de CLINT EASTWOOD
com CLINT EASTWOOD, Verna Bloom, Mariana Hill, Mitchell Ryan, Jack Ging
Estados Unidos, 1972 - 87 min / legendado em francês

Sala Dr. Félix Ribeiro (Sex. 19, 19h); Sala Luís de Pina (Seg. 29, 19h30)

DIRTY HARRY
A Fúria da Razão
de Don Siegel
com CLINT EASTWOOD, Harry Guardino, Reni Santoni, John Vernon, Andy Robinson
Estados Unidos, 1971 - 102 min / legendado electronicamente em português

Sala Dr. Félix Ribeiro (Seg. 22, 19h)

THE EIGER SANCTION
A Escalada
de CLINT EASTWOOD
com CLINT EASTWOOD, George Kennedy, Vonetta McGee, Jack Cassidy
Estados Unidos, 1975 - 125 min / legendado electronicamente em português

Sala Dr. Félix Ribeiro (Seg. 22, 21h30); Sala Luís de Pina (Ter. 30, 19h30)

PAINT YOUR WAGON
Os Maridos de Elizabeth
de Joshua Logan
com Lee Marvin, CLINT EASTWOOD, Jean Seberg
Estados Unidos, 1969 - 164 min / legendado electronicamente em português

Sala Dr. Félix Ribeiro (Seg. 29, 19h)

THE OUTLAW JOSEY WALES
O Rebelde do Kansas
de CLINT EASTWOOD
com CLINT EASTWOOD, Chief Dan George, Sondra Locke
Estados Unidos, 1976 - 134 min / legendado electronicamente em português

Sala Dr. Félix Ribeiro (Seg. 29, 21h30); Segunda exibição em Janeiro

THE GAUNTLET
Barreira de Fogo
de CLINT EASTWOOD
com CLINT EASTWOOD, Sondra Locke, Pat Hingle, William Prince, Bill McKinney
Estados Unidos, 1977 - 122 min / legendado electronicamente em português

Sala Dr. Félix Ribeiro (Ter. 30, 21h30); Segunda exibição em Janeiro

Tattoo Who

11.19.2008

Balzac Prozac
















«Não existe essa coisa da aventura e do romance, apenas desejo e complicações.»
(Hal Hartley, 1992)





















«A vida é simplesmente uma complicação de interesses e sentimentos.»
(Balzac/ Rivette, 1833/ 2007)

11.18.2008

Simpsonizado





















Amigo, não consegui aproximar-me mais que isto, e acabei ficando parecido com o Tiago Cavaco.
Obs 1. Comparar com o perfil helénico da foto lá mesmo em baixo.
Obs 2. Simpsonize-se aqui.

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