1.18.2011

Dar que pensar é uma virtude





















Pro-choice 17.12.2010
O celibato é «involuntário». Quase toda a gente prefere alguém a ninguém. Mas também é «voluntário». Quase toda a gente teria alguém se quisesse. Um celibatário vive de acordo com aquilo que escolhe, mas não com aquilo que deseja.


O diabo nos detalhes 15.01.2011
Quando se trata de fazer escolhas, o diabo está nos detalhes. Quem esteja atento aos detalhes evita todas as escolhas, ou delas se arrepende rapidamente. Os detalhes, para quem esteja atento, são a maldição da escolha, pois inquinam toda a perfeição, inquinam a grande ilusão da escolha que é escolher o que é perfeito. Por causa do detalhe fica-se sozinho, e acompanhado, naturalmente, pelo diabo.


O mito masculino 18.01.2011
Nos meios da burguesia média-alta, muitas mulheres pensam «como homens», ou antes, pensam de acordo com os padrões actuais da «masculinidade». Claro que o masculino não se esgota numas quantas características epocais de «masculinidade»; mas é inegável que algumas dessas facetas se tornaram culturalmente hegemónicas. E é nesse contexto que muitas mulheres mostram uma surpreendente empatia com a ideia de «masculinidade», ao mesmo tempo que desprezam ostensivamente as mulheres a quem atribuem características «femininas».O psicanalista Arno Gruen escreveu: «A adopção do mito masculino pela mulher é um acto de auto-traição. A fé na supremacia masculina nega o carinho materno como base da auto-estima. Por isso, não surpreende que a auto-estima de muitas mulheres, na nossa cultura, se baseie em qualidades “masculinas” (…)». Gruen não faz o elogio de uma «feminilidade» biologista; apenas alerta para o perigo de trocarmos a autonomia pelo culto do poder. Sobretudo quando o «poder» é automaticamente identificado com o «masculino». E com um «masculino» grotescamente darwiniano. O que Gruen lembra é que a «masculinidade» se tornou o «único fundamento da auto-estima», tanto masculina como feminina. E que esse fundamento é, para todos, uma fraude e uma traição.

[A Loucura da Normalidade (1987), edição portuguesa Assírio & Alvim]

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