8.28.2012
8.26.2012
8.24.2012
Pop perfection
Agora que olho bem, o Paddy McAloon desta altura dá uns ares ao pianista Filipe Melo.
(e o Neil Conti tem qualquer coisa de Álvaro Costa)
Mão de Deus
Madre Anna: Do you ever see the Hand of God in what you do?
Creasy: No, not for a long time.
Madre Anna: The Bible says, "Do not be overcome with evil, but overcome...?
Creasy: But overcome evil with good." That's Romans Chapter 12 Verse 21. I am the sheep that got lost, Madre.
A redenção pelo fogo (pela morte). Uma das melhores histórias de redenção.
Creasy: No, not for a long time.
Madre Anna: The Bible says, "Do not be overcome with evil, but overcome...?
Creasy: But overcome evil with good." That's Romans Chapter 12 Verse 21. I am the sheep that got lost, Madre.
A redenção pelo fogo (pela morte). Uma das melhores histórias de redenção.
8.23.2012
Cacifo
E agora entram as danças sevilhanas da Catalunha
Sá, estou farto de eliminatórias com equipas nórdicas de meia tigela, em que acabamos a fazer resultados (e exibições) de merda, passando sem brilho algum. Apetece-me ver golos, uns três ou quatro, e uma equipa a assumir a superioridade desde o apito inicial. Aliás, acho que não há forma de mostrar o respeito pelo adversário, do que mostrar-lhe que sabemos como o futebol é pródigo em surpresas e, por isso mesmo, que não nos resta outra alternativa senão resolver a eliminatória o mais cedo possível.
Aperta com eles, Cacifo!
Sá, estou farto de eliminatórias com equipas nórdicas de meia tigela, em que acabamos a fazer resultados (e exibições) de merda, passando sem brilho algum. Apetece-me ver golos, uns três ou quatro, e uma equipa a assumir a superioridade desde o apito inicial. Aliás, acho que não há forma de mostrar o respeito pelo adversário, do que mostrar-lhe que sabemos como o futebol é pródigo em surpresas e, por isso mesmo, que não nos resta outra alternativa senão resolver a eliminatória o mais cedo possível.
Aperta com eles, Cacifo!
Mostra a tua culpa
Polícia – So who the hell did you fuck to get this job?
Walter – Myself. It was easier than it looked.
Polícia – Yeah, fucking yourself always is.
O final de Assalto ao Metro 123/ The Taking of Pelham 123 (2009) está próximo e Walter Garber (Denzel Washington), negociador improvisado, vê-se forçado a entregar 10 milhões de dólares a Ryder (John Travolta, um quase erro de casting) e restantes cúmplices, que uma hora antes haviam sequestrado o metro 123, mantendo-se na composição principal, separada das restantes, e tendo 17 reféns por companhia.

Isto não é um vulgar filme de sequestro e imagino que a razão não se prenda só com o facto de se tratar da recriação de obra estimada da década de 70 com o mesmo nome. Existe na versão de Tony Scott, com argumento de Brian Helgeland, uma ambiguidade discreta mas decisiva, que diz respeito a Garber, despromovido nas suas funções no metro de Nova Iorque, enquanto decorre o processo de averiguações onde é suspeito de ter recebido um suborno.

Ryder chega a inquiri-lo sobre o sucedido e Garber não tem outra alternativa a não ser “confessar” para poupar um dos reféns, mas a sua culpabilidade nunca chegará a ser clarificada. Porque arriscará ele a vida, indo-se juntar aos sequestradores levando-lhes os milhões, se não for no fundo para expiar a culpa? E assim, recuando um título na filmografia de Tony Scott, deparamo-nos com outra história de redenção e carris.

Aplique-se a escala Michael Mann, que é a que melhor se adequa a um filme do género de Assalto ao Metro 123, e a classificação de 3 estrelas (em 5) parece-me justa. O filme ganha-se na dúvida de uma culpa que não se chega a apurar, e que o Mayor (James Gandolfini), usando de sentido de oportunidade, tratará de pôr para trás das costas, ao agradecer o gesto corajoso de Walter para com a cidade, e que o espectador suspeitoso também relativizará em força dos acontecimentos.
Num filme pejado de remissões ao catolicismo é caso para desafiar quem se julga inocente a mostrar indignação. Tony Scott realizou este filme para a maioria culpada que somos quase todos.
8.22.2012
777 o número da besta sobre carris
Unstoppable/ Imparável (2010) tornou-se em definitivo o último filme de Tony Scott. Um tipo sente-se mal se por qualquer imperativo pressiona o botão de pausa no comando (virtualidades do consumo caseiro de filmes), invalidando a ameaça que Tony Scott põe em marcha na forma de um comboio desgovernado, o 777, comboio também "fantasma" porque ninguém vai nos comandos e não tem passageiros, que transporta material tóxico e altamente inflamável, lançando o pânico nas povoações da Pensilvânia no seu caminho, até ao trágico destino final marcado para Stanton, a vila de um dos indivíduos que tentará travá-lo com o risco da própria vida.
Imparável conta uma história de redenção e logo passarei a explicar por quê. Foi também a derradeira colaboração (de várias) entre Tony Scott e Denzel Washington (“once you go black you never come back”), um pouco como na aliança que estabeleceram John Ford e John Wayne, projecções um do outro, e peço-vos o carinho de considerarem que Tony Scott possa ter sido o John Ford da geração dos gadgets. Denzel personifica de novo a tarimba e o pragmatismo americanos e dá o rosto dominante a um episódio que se baseia em acontecimentos reais.
A direcção de Tony Scott cede um pouco no habitual barroquismo da montagem, para servir a história do nascimento da amizade "sob pressão" entre dois homens, o experiente condutor de locomotivas e o rookie (interpretado pelo absolutamente neutro Chris Pike) que trocam dissabores sucedidos com as suas vidas familiares, enquanto procuram “salvar a humanidade”. O mais velho negligenciara as filhas após a morte da mulher por doença. O mais jovem acusara a mãe do seu filho de uma infidelidade que se veio a provar falsa.
Há medida que a imobilização do comboio se transforma num evento nacional, com cobertura e interpretação televisivas a cada instante, a questão passa a ser a de eles terem hipótese de recuperar um amor que não souberam valorizar, redimindo-se perante o olhar do país que só interessa pelo grau de espectacularidade, porque à escala intimista este filme trata apenas daqueles dois condutores de caminhos-de-ferro e das mulheres que trataram mal.
De caminho Tony Scott coloca em definitivo a obra pioneira dos irmãos Lumière na categoria de atracção de feira (mera hipótese académica), homenageando-a ao mesmo tempo que diz: é sempre a mesma história, apenas se alteram a escala e a perícia técnica.
Está-se a falar, recordo, para a geração gadgets.
8.21.2012
8.20.2012
Tony Scott (1944-2012)
Vivia o cinema intensamente e isso notava-se nos filmes que fazia. Não tinha propriamente aquele estilo que faz perdurar a obra no tempo; era um homem de superfícies: visuais e dramáticas, ainda que algumas histórias fossem bastante complexas. Tem coisas boas feitas com Denzel Washington (equilibravam-se: o estilo frenético de Scott com a masculinidade de Denzel que conseguia fixar-se no turbilhão), mas será sempre um autor conotado com a década de 80, para a qual olhamos com mais preconceito que nostalgia. A maior parte da sua filmografia é descartável; mas existe, e naquele contexto foi porque muita gente a quis ver. Teve uma morte horrível e estúpida. Totalmente inesperada. É fodido.
Recordações
«Sou a criança que queria manter a ilusão e, ao mesmo tempo, o velho ciente de que tudo tem um preço, tudo tem fim.» (p. 225)
O narrador tem o nome de Corvo, por vestir sempre de negro. O único nome que J. Rentes de Carvalho lhe dá, que vemos mencionado uma única vez. Claro que não é por acaso e que isto reforça a empatia, decisiva, que estabelecemos com uma história que podia ter-se passado com o próprio autor. Não me ocupei a imaginar o protagonista de preto, pois para mim teve sempre o rosto de Rentes de Carvalho, um pouco como acontece quando lemos um livro que irá ser adaptado ao cinema e sabendo o nome dos actores logo as personagens nos surgem investidas da respectiva fisionomia.
A Amante Holandesa é um romance notável sobre aquilo que constitui a identidade de cada um, e sobre o modo como ficcioná-la pode ajudar a suportar a realidade do que somos. Existem dois amigos de infância que após o regresso da Holanda de um deles, onde estivera uma dúzia de anos, têm por hábito conversar longas horas em determinado lugar onde o mesmo pastoreia cabras (trata-se do Gato) e o outro espanta males da solidão, de um casamento sem amor, dois filhos a contas com a justiça na América, e de uma compulsão pedófila que se traduz, como o próprio confessa, na contemplação privada de álbuns com imagens de corpos jovens e bonitos.
Quando o primeiro se mata e o narrador recebe a visita da filha do Gato, que procura qualquer coisa de indefinido (um sentimento de pertença, talvez?) que pensa poder existir na terra do pai que não conheceu (Trás-os-Montes), o romance encaminha-se para a clarificação das vidas e naturezas reais de um e de outro, e da própria rapariga, Laura (24 anos mas de aparência mais nova ainda), na medida em que nela se prolonga a psicologia materna com igual capacidade de decepção. Mas ninguém está neste livro para ser julgado, e do leitor se espera igualmente que seja prudente a moralizar: todas as personagens são o que são e tratadas de forma isenta pela escrita elegante e essencial de J. Rentes de Carvalho.
«No íntimo, é verdade, eu poderia ter dado respostas iguais. Sexo, evidentemente. E aventura, cio, atracção. Para mim com o acréscimo da sua juventude, da beleza do seu corpo. Isso é o que ontem nos uniu. O que provavelmente nos separa, e a torna a ela distante e a mim melancólico, é a fantasia. A sua franqueza não quer enfeites, não conhece esperas nem precisa de sonhos. Sensibilidade e alma ficam de fora, assistem mas não participam, são o escudo que um dia poderá opor às recordações.» (p. 223)
Em defesa contra as recordações também se pode escrever livros, e livros estupendos como neste caso.
8.17.2012
O último a morrer
A década abriu com 'Goddfellas' (1990), de Martin Scorsese. Depois veio 'Carlito's Way', o melhor de todos os De Palma, de 93, o ano de 'A Bronx Tale', estreia de Robert De Niro atrás das câmeras. Em 1995 Scorsese realizava 'Casino', e em 97 o inglês Mike Newell infiltrava-se, tal como o seu herói, Donnie Brasco, no universo dos "wise guys". Foi parar à série Harry Potter que é para aprender! Grosseira injustiça feita a um filme que não merece ficar tapado pela boa vizinhança. A versão recente que vi, aumentada em cerca de 20 minutos, talvez mais sangrenta que a montagem comercial, o que não posso garantir pois a memória do primeiro visionamento está demasiado distante, remeteu-me de imediato para o filme de De Palma, que em comum com 'Donnie Brasco' tem a música de Patrick Doyle e um Pacino em topo de forma. Mais importante ainda: o desejo íntimo de Benjamin Ruggiero (Lefty) é igual ao de Carlito Brigante; pegar na mulher que ama e ir para um qualquer lugar distante. São logo à partida figuras trágicas e isso traduz-se na força do destino que se impõe sobre a vontade delas. Não tinha de ser à força um americano, ou italo-americano a dirigir 'Donnie Brasco'. A máquina de produção estava lá, o magnífico argumento de Paul Attanasio tocava as notas certas, fazendo melhor uso do "calão" que é como uma segunda pele, e Newell limitou-se a servir a história com a sua sensibilidade formada numa cultura diferente mas próxima, que afinal é o segundo berço da tradição narrativa ocidental: depois dos Gregos Shakespeare é o modelo trágico por excelência. Viva 'Donnie Brasco'. Fuggetaboutit.
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