3.15.2011

Toe rings











































Sabiam que Teri Polo tinha posado para a Playboy (em Fevereiro de 2005)? Eu também não. Tratando-se de uma figura pública e ainda para mais, hoje em dia, de uma senhora comprometida, só mostro as fotografias menos indiscretas. As mais belas também. Aumentem as imagens e suspirem no acto de contemplar os anéis nos dedinhos em cada pé Dela. E há tatuagens para ver, mas não aqui.

3.14.2011

Um pouco vago e destilado


























A dado momento do documentário Get Thrashed, alguém cujo nome não me ocorre chama a atenção para a qualidade dos músicos nórdicos, que se apresentam nos diferentes subgéneros do metal com elevado conhecimento e competência extrema. Os Grand Magus são um trio de suecos. O seu heavy metal, como a própria designação deixa implícito, é revivalista (ou clássico). As digressões com cartazes de respeito (juntaram-se recentemente aos Motörhead; agora aos Grave Digger) contribuíram para fazer aumentar o número dos que os seguem, e em Abril (dia 17) é a vez de Portugal apanhar com o Hammer of the North. E não será por aqui que se justificarão as cabeças pesadas na manhã seguinte, que o metal dos Grand Magus segue destilado. Prontos para a guerra?

Bonecas suíças


























Uma fotografia da alemã Isolde Ohlbaum, obtida num cemitério em Génova, serviu a capa do Ep I Won't Dance, dos suíços Celtic Frost, que no interior do livrete da edição remasterizada e aumentada do álbum Into the Pandemonium (1987, reed. 1999), se conhece pelo design original – de inspiração Peter Saville (diferente daquele que acima se vê) – que não veio a ser usado.

O tempo que resta


























Todos os encontros verdadeiramente importantes passam por esta obra-prima total e absoluta. Nas conversas sobre a relação, quando os casais se questionam sobre se devem ficar juntos ou seguir diferentes caminhos, lembro-me sempre do filme de Kasdan e faço(-lhes) a pergunta: pensem se gostam da pessoa que são quando estão um com o outro, e tirem as conclusões devidas.

3.11.2011

Heartbroken


























Every time I get a tattoo, it's a little fuck-you to anyone who tells me not to. I like the way getting a tattoo feels. (...) I have one all the way down to my ribs. It hurt, but it felt good like twisting a loose tooth. Megan Fox

Clicar na imagem para perceber o alcance da palavra "heartbroken".

Armani - Nadal - Sylvian - Megan






A música do primeiro e as formas em ambos.

3.10.2011

Optimus na caminha


























O título do DVD, Everywhere But Home, se por um lado constata uma evidência, a de que os concertos apresentados em substância (4) aconteceram fora dos Estados Unidos (Canadá, Irlanda e Islândia), pode por outro também exprimir o desejo de regressar a casa que chega a todos os músicos que andam na estrada. Foi com isto em mente, a juntar ao comodismo e à ocasião de me ter cruzado com este registo generoso dos Foo Fighters, e ainda recuperando a feliz formulação do nosso lançador do peso, Marco Fortes, que afirmo que o Optimus Alive (os Foo Fighters são cabeças de cartaz da edição deste ano) é bom é próximo da caminha.
No sossego de casa, servido pela dinâmica e atenta realização de Maurice Linnane, servindo-me alguns shots de Jim Beam, pude receber a intensidade dos Foo Fighters no palco, concentrada, verdade seja escrita, nos dois elementos mais carismáticos: Dave Grohl, um não tão impressionante vocalista e guitarrista como quando encarna o espírito do rock atrás da bateria, e o baterista Taylor Hawkins, que não tendo os recursos e a escola de Grohl cumpre totalmente o que os temas dos Foo Fighters exigem: um balanço de cruzeiro muito Cheap Trick e um encadear de canções com energia e identificação entre elas como num concerto dos Ramones. O principal mérito do som dos Foo Fighters é a eficácia. Quando Dave Grohl quer maiores desafios nunca lhe faltou companhia para vivê-los. Um concerto dos Foo Fighters é uma festa, que graças a este DVD podemos decidir tornar privada.

[... e um pequeno extra que não faz parte do DVD, mas que motiva durante o concerto um comentário de Dave Grohl a propósito do vídeo ter sido recusado pela televisão norte-americana]:

P.S. Já tenho o meu bilhete para os Kyuss Lives!

Da empalação


























Os finlandeses Impaled Nazarene tem a melhor designação que conheço para uma banda de black metal. O nome ficou no ouvido e não consigo libertar-me da versão original ou da sua tradução para português: Nazareno Empalado, imagino o que seria o som dos Nazareno Empalado, a identidade dos seus elementos e o programa" estético" destes? A verdade é que para abraçar a proposta dos Impaled Nazarene – devoção incondicional a Satanás e ódio homicida às mulheres – era necessária a total refundação da minha ligação à música. É sempre possível escutar o grupo de Mika Luttinen "minister of sexual perversions", Reima Kellokoski "minister of demonology and occult", Mikael Amkil "minister of offense", ou o meu favorito Tomi UG Ulgreen "minister of alcoholism", com distanciamento crítico e o sentido do ridículo que pedem as coisas extremas, mas seria preciso empalarem-me como ao Nazareno para que fizesse outra coisa da audição de Road to the Octagon (2010) que uma prova radical e alarvemente metafórica a superar. A superar. E a superar.

3.09.2011

Cerimónia


























A partir do mínimo reconhecível de relevância, a produção e o consumo da música são actividades que implicam um propósito de afirmação. Podemos fazer ou escutar música para nos aproximarmos ou afastar dos outros. Podemos sentir idêntica necessidade de afirmação em diferentes fases da vida. Ao longo da mesma, com maior ou menor empenho, menor ou maior desespero, todos mantemos a vontade do amor recíproco, ainda que a mascaremos de muitos obstáculos e ilusões.
Os Swans "originais" eram a banda perfeita para os que gostavam de gostar de música de que poucos conseguiam gostar. Consigo identificar o sentimento porque tempos houve em que procurei este tipo de confronto e escolhi discos que, pensava eu, criavam uma barreira entre mim e o mundo (de gente frustrante e pouco confiável). Quando passei a encarar a música exclusivamente como forma de comunicar com outros a partir do sentimento já de empatia que procurei fosse sincero, aquelas bandas difíceis acabaram todas nas prateleiras de uma qualquer loja de discos em segunda mão. Alguns Swans tiveram este destino.
Passou meia década desde a edição do penúltimo álbum de estúdio da banda de Michael Gira, e os novos/velhos Swans surgem com um disco de título "smoguiano": My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky. Não me alongarei sobre um registo que percebe-se logo requer paciente digestão. Mas há sinais que saltam aos ouvidos, como a sofisticada construção dos ambientes sonoros sobre os quais se sobrepõe a batida marcial e apocalíptica de outrora, e também se isso for possível alguma serenidade na voz de pregador obscuro de Michael Gira: nunca assisti a um concerto dos Swans, mas vi Gira sozinho num palco e quando aquilo é para meter medo, mete mesmo medo.
Se os velhos/novos Swans se permitem ser amados de forma não tão tortuosa, e se a sua música actual irradia trevas junto com alguma pacificação ao avançar por territórios de negrume abstracto que podem sugerir passagens ou imagens de Cormac McCarthy, e talvez trocando exorcismo por resignação, é também possível da nossa parte retomar o caminho interrompido, recomeçando por este My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky. E degustá-lo com paciência e sem masoquismos.

Dois retratos























Michael Gira.



























Francis Bacon.

Sacanas com lei



Uma das coisas que fiz com a inutilidade do Carnaval foi rever Inglourious Basterds. No geral não subi a minha apreciação primeira, embora tenha percebido melhor aquilo que gosto mais no filme de Tarantino. Daí até ao wikiFeet, ao YouTube e a este breve exemplar do namoro à francesa, foram três passinhos ágeis e silenciosos.

3.04.2011

Fugazi. O elo descoberto.


























Podia passar a vida inteira a ouvir música sem que os Fugazi se atravessassem no caminho. Estes breves contemporâneos dos Pixies pugnavam por uma sonoridade similar à da banda de Black Francis (baseio-me no único álbum que conheço por enquanto; condensados de energia que frequentes vezes não passam dos dois minutos de dura acção), embora de produção "no osso", que ousou deixar de fora as costuras do seu rock-punk-indie-hardcore, tudo ao mesmo tempo. Os Fugazi existiram numa década – os anos 90 – em que me exilei por géneros musicais mais conformistas, e são recuperados hoje por grupos com som pesado e heterogéneo como os Kylesa de Spiral Shadow. A descoberta dos Fugazi devo-a a Laura Pleasants, uma das vozes e guitarras dos Kylesa. Sinto-me informado e inconformado, duplamente satisfeito:

I am a huge Fugazi fan. I remember anxiously waiting for this record to come out. I believe I bought it the day it came out, and I studied the liner notes and art relentlessly. I think, as a whole, this is their best record. I jammed this and Repeater a whole lot in high school (as with Minor Threat) …well…I jammed all of their records but this probably reminds me of high school the most….maybe this and Red Medicine Riding around in Jonathan Fuller’s old car with this blaring in the tape deck, FUGAZI was the band that got me through so much bullshit. I loved their lyrics, their punk ethic and their control of weird guitar feedback. They took their punk roots and twisted them into an angle of their own. They did everything themselves. They charged $5 for their live shows. They blew everyone away and influenced more people than most bands of their day, and they never had an interview in a major music magazine like Spin or Rolling Stone. I have so much respect for this band.

Os Fugazi, eles próprios, eram como a música que faziam. Inteligentes, não estereotipados (diz-nos por exemplo a wikipedia, citando várias fontes):

The group (MacKaye in particular) also made a point of discouraging violent, unwanted slam dancing and fistfights, which they saw as relics of the late 1970s/early 1980s hardcore punk era. Azerrad quotes Mackaye, "See, [slam dancers] have one form of communication: violence ... So to disorient them, you don't give them violence. I'd say, 'Excuse me, sir...'- I mean, it freaks them out -'Excuse me, sir, would you please cut that crap out?'" (emphasis in original) Azerrad writes, "[Mackaye's] admonitions seemed preachy to some. And by and large, people would obey - it wasn't cool to disrespect Ian MacKaye." Occasionally, Fugazi would escort an unrepentant slam-dancer from the concert, and give them an envelope containing a $5 refund (they kept a stock of such envelopes in their tour van for these occasions).

Arte povera






















© &

Um seio estriado, um dragão do lado, a carpete manhosa, o sol que descobre o rosto, onde se nota a íris tricolor que vai do verde bronze à cor de mel.

(Clique na imagem para ver o que eu vi.)

Mr. T (2)



«I feel so good I'm gonna break somebody's heart tonight» (Richard Thompson)

3.03.2011

Yucca brevifolia



















À escala humana.

(fotografado no Parque Nacional Joshua Tree da Califórnia, o meu destino de visita em vida ou de repouso depois de morto)

3.02.2011

Ano clássico


























É tempo de recuperar os Nazareth, quanto mais não seja por este disco. O álbum datado de 1974 – não foi premeditado mas é lá que continuo, em 74 – testemunha de modo exuberante a vitalidade do rock, e torna difícil a nossa satisfação com o que quer que venha que esteja aquém disto. Da Escócia com o coração na América, a banda de Dan McCafferty não teria motivos para se sentir inferiorizada perante ninguém. Rampant é um daqueles discos essenciais, altamente contagiantes. Rock'n'roll directo e verdadeiro. Um registo com a alma no ponto exacto de ebulição.

3.01.2011

Uma questão de distância. Um metro ou dois.

(...) Caminharam pelas ruas da baixa. A outra fazia perguntas que ele só respondia à segunda vez, quando realmente as escutava. Por vezes, apercebia-se que a outra ficava para trás – um metro, dois – porque ele caminhava demasiado depressa. Então, ele parava, esperava, e retomavam a marcha até que nova distância se instalasse entre os dois.
Foi nas margens do rio que a outra resolveu parar. Ele perguntou se ela estava cansada. A outra sorriu com ironia e respondeu: "Podes dizer que sim".
Ele gelou. Desconversou: que poderiam sentar-se na esplanada, descansar, tomar um café. A outra preferiu sentar-se no cais e tirar um cigarro do bolso. Acendeu-o. Pausa longa. E depois disse-lhe: "Quero apenas que me leves à estação, por favor".
Ele gelou novamente. E desconversou novamente: que se passava, perguntou, acontecera alguma coisa? Ele fizera alguma coisa?
A outra recusou-se a comentar o óbvio. Olhou-o apenas com desprezo e murmurou: "É pena que não tenhas reparado que fui eu quem veio ter contigo".
Ele olhou para ela pela primeira vez naquela tarde, pela primeira vez em todas as tardes, como se a frase o tivesse despertado. Havia uma presença real ao lado dele; uma presença discreta, e também por isso discretamente bela, que fumava às pressas para não chorar.
Ele sentia vergonha e nada disse. E também ternura e também desejo. A outra levantou-se e, sem esperar por ele, caminhou para o carro. Ele seguiu-a – um metro, dois metros atrás dela. (...)

Para ler o resto do conto é favor dirigir-se ao autor.

Purple crush


























Em 1974 os Led Zeppelin encontravam-se entre Houses of the Holy e o Physical Graffiti, os Lynyrd Skynyrd avançavam com Second Helping, e os canadianos Rush traziam escancarada a matriz roqueira que lhes fervia nas veias. Partiam com atraso mas dispostos a dar nas vistas. Foi o que aconteceu (até hoje).

Dormir com mulheres deve ser bom


















© Franklin Obregon

(...) Sleeping with women is like dessert. They look so pretty and are presented so well you just can't say no no matter how full you are. They are sweet, indulgent, can be enjoyed for hours. If they're simple they are clean and comforting, if they are mutli-layered they are complex and interesting, either way they are delicious and indulgent and so satisfying when you have them you don't need them all the time. Still, they're so appealing I've never been able to turn them down. (Tiah Delaney)

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