2.01.2011

Fidelidades (II)


























Uma actriz de Hitchcock por &.

Fidelidades (I)


















Uma leitora por Ira Chernova.

1.31.2011

Todos por Liedson























Na próxima sexta-feira, pelas 20h15, em jogo caseiro frente à Naval, Liedson vestirá pela última vez a camisola do Sporting. A cedência definitiva dos direitos desportivos do jogador ao Corinthians de S. Paulo foi comunicada. Que me perdoem outros craques de que me possa estar a esquecer no momento, mas acho que Liedson foi o melhor jogador que vi jogar pelo meu clube. Actualmente, e apesar de um ligeiro abaixamento de forma (ou de motivação), era ainda o único fora de série do plantel. Poucos títulos conquistou para tantos golos que fez pelo Sporting. A promessa de triunfo no campeonato português foi consecutivamente adiada, e este ano vai pelo mesmo caminho. Muito também por isso – por personificar a ilusão de que poderíamos "ser felizes" – é chegado o momento de lhe agradecer, pelo que encher Alvalade no próximo jogo é nossa imediata obrigação. Todos por Liedson.

O filme mais triste num ano


















Another Year, de Mike Leigh, não é na aparência o filme mais triste do ano, e tem até por seu elemento catalizador um casal que vive uma existência de grande harmonia e complementariedade. O pior é que em torno deste centro de ordem é o caos que manda. O filme de Leigh funciona por desencantado contraste e uma vez mais a sua câmera de filmar amplia realidades da existência humana. O método de Mike Leigh, sob uma capa de naturalismo, retrata figuras estilizadas, mais ou menos excêntricas (já o foram mais nos filmes iniciais do inglês), que carregam males da alma. Atente-se na participação fugaz da primeira personagem de Another Year. Interpretada por Imelda Staunton (protagonista de Vera Drake do mesmo realizador), dá-nos a conhecer uma mulher deprimida que se dirige aos serviços sociais para que lhe dêem um medicamento para dormir. Isto é uma mulher que precisa de ajuda mas que se recusa enfrentar as causas do que a afecta. Ela padece do mais terrível dos males que é a solidão. É o primeiro elemento de uma galeria de seres solitários que preenche cada uma das quatro estações que estruturam Another Year: que abre na Primavera e termina no Inverno desse ano. Cercando o centro caloroso ocupado pelo casal Tom e Gerri, há toda uma constelação de gente à deriva, frágil e em perda, que não sabe lidar com o problema central nas suas vidas, a começar pelo facto de este nunca chegar a ser verbalizado (e sabemos como o cinema de Mike Leigh se caracteriza pela natureza dos diálogos). Another Year devolve-nos também um reflexo angustiante do envelhecimento, de novo matizado pela bonomia do casal protagonista: uma assistente social e um geólogo que marcam o regresso dos habituais e óptimos Jim Broadbent e Ruth Sheen. Tudo neste filme é meticulosamente calibrado, virtuosismo que nos melhores momentos parece apagar as marcas do trabalho do cinema. O coração de Leigh retoma as razões de sempre e sempre pertinentes. O filme suga-nos para o seu interior e faz-nos percorrê-lo como se habitássemos um limbo. O retrato de Mary (soberba Lesley Manville), visita assídua até à inconveniência da casa de Tom e Gerri, concentra o maior índice de empatia de Mike Leigh, o que não impede que seja dela o derradeiro plano do filme, e um plano que não está lá para a salvar.

A dama do mar

1.28.2011

Fóssil


























Eles têm o som. Isso é primordial. Têm a elevada capacidade técnica exigida pela música que praticam: metal progressivo melódico. Em termos líricos, mantêm-se dentro da gramática do gótico, criando narrativas épicas a partir dos desgostos irremediáveis da existência de qualquer ser romântico: és um romântico, estás basicamente fodido, mas se tens de viver com essa condenação entrega-te à queda sumptuosa no abismo. Deixa atrás de ti um rasto de fogo, que ao ser olhado por uns antecipará aquilo que outros vêem já. A tua imagem fossilizada num bloco de gelo. O disco de estreia dos Painted Black saiu no ano passado, e se não fosse notável eu não teria dado pela sua existência. Há também um videoclip que diz bem do bom gosto da banda, mesmo quando se apropria de material alheio.

Copy/Paste (do Público)


















O Torneio das Seis Nações começa a disputar-se no fim-de-semana de 4 e 5 de Fevereiro e os capitães das equipas já se preparam para a competição. Matthew Rees (Gales), Alastair Kellock (Escócia), Thierry Dusautoir (França), Lewis Moody (Inglaterra), Brian O’Driscoll (Irlanda) e Leonardo Ghiraldini (Itália) encabeçam as respectivas selecções. [Foto: Eddie Keogh/Reuters]

Torneio das Seis Nações na Sport TV. Torço pelos Verdes.

E.T. meets The X-Files meets Starman meets WHO CARES





Uma aposta minha pessoal e in-alien-ável para 2011.

1.27.2011

Comandante da Legião de Honra



















Eastwood era bem mais universal quando não pretendia ser tão ecuménico. Nos dois últimos filmes foi de África ao Pacífico, e do Pacífico à Europa (Londres e Paris). Em Hereafter faz-se representar por Matt Damon (bom actor mas fraco alter ego, excepto talvez nos resultados de bilheteira) para agradecer amorosamente a condecoração do governo francês. O fascínio dos americanos cultos pela Europa viu crescer a barba de muitas gerações, e Clint Eastwood foi apenas mais um a sucumbir ao charme da velha senhora – que, diga-se a bem da verdade, lhe reconheceu méritos de autoria e filiação na nobre história do cinema, que depois viriam a influenciar a avaliação da sua obra no país de origem. Cumprida a deferência, é fazer figas para ver deus Clint todo poderoso de volta ao seu território de tradição. A moral de Eastwood é o factor humano que realmente interessa. O resto são medalhas.

1.26.2011

Dark stranger


























No novo filme de Woody Allen bebem todos Bell's.

A love song


























© &

This feels like a love song intended for me.

A árvore da vida

Quando esta manhã passei em frente da igreja de Sta. Isabel, um grupo de homens tratava de cortar uma das grandes árvores despidas do outro lado da rua, enquanto podava as restantes em volta. À porta da igreja um carro funerário aguardava pela chegada do caixão, para rumar sabemos para onde. A coincidência destas acções lembrou-me a quantidade de cinema que acontece quando as câmeras estão ausentes. A quantidade de cinema que é feita de encontros e despedidas.

1.25.2011

Talismã


















s. m.
1. Figura, medalha ou peça a que se atribuem virtudes sobrenaturais.
2. Encanto; amuleto.


[Dicionário Priberam da Língua Portuguesa]

1.24.2011

Camané


















Foto do último espectáculo de Camané no CCB (autor anónimo).

Camané regressa em breve a uma sala de Lisboa onde não precisa de se colocar em bicos de pés. Quatro noites no S. Luiz, de quinta a domingo, de 3 a 6 de Fevereiro, para apresentar Do Amor e dos Dias, disco extraordinário. Gosto mais assim, não é da natureza do fado conseguir fazer sentir que cantam (só) para nós em salas demasiado grandes e cheias de gente. Nunca vi ninguém que consiga, no fado, repito, inverter a regra. Por isso escolho os meus encontros com Camané com máximo cuidado. É o que fazemos com aquilo que realmente estimamos. De pés bem assentes no chão.

ISIS primeiro capítulo


























Onde se comprova que o desapego de uns pode resultar na bem aventurança de outros. Adquiri recentemente e por troca de materiais equivalentes a discografia completa dos ISIS, banda norte-americana que encerrou a actividade o ano passado, não sem antes e ao longo de uma década ter influenciado praticamente tudo o que gosto no metal: sludge, doom, progressivo, drone, riifs graves e robustos. Quando nos chega, tudo, de uma só enxurrada, podemos bloquear, no que é pura perda de tempo. Assim, peguei no primeiro CD de longa duração que é o que tenho estado a ouvir. A duração longa, sem mais, é algo que os ISIS exploraram desde o início; o exemplo abaixo, Gentle Time, penúltima faixa de Celestial (2000), apesar da deficiente qualidade sonora (no disco é outra coisa) serve de indicador da massa sonora que os ISIS são capazes de movimentar, a que se acrescenta maior densidade com a repetição.

M. para sempre




















Impossível não receber La Femme d'à Coté (1981) a não ser como um aviso. Truffaut parece dizer "tenham medo, tenham muito medo, das histórias de amor com princípio, meio, mas sem um fim". François Truffaut di-lo com palavras, usa arquétipos trágicos como a senhora Jouve que sobrevivera a tentativa de suicídio (por amor), tendo-se atirado de um sétimo andar. Di-lo também e sobretudo com imagens, e para que tal aconteça a intensidade das presenças de Gérard Depardieu (Bernard) e Fanny Ardant (Mathilde) é determinante. Ao contrário das histórias de amor que se deseja que fiquem resolvidas, às narrativas dos filmes nada obriga a que se lhes ponha um ponto final. As melhores, aliás, encontram formas de reverberar e de se perpetuarem dentro de nós. São aquelas que, justamente, metem mais medo.

1.21.2011

Meia manga


























© Ira Chernova

Êxtases nórdicos







































Duas imagens de filmes de Carl Theodor Dreyer (A Paixão de Joana d'Arc e A Palavra), e um dos espantosos retratos de Luís Mileu para a entrevista com Pedro Mexia na edição #5 da Alice.

Mai'nada








2010 trouxe uns super-super The Fall.

1.20.2011

Relação entre iguais



















Denys - Did you know that in all of literature... there's no poem celebrating the foot. There's lips, eyes, hands, face... hair, breasts... legs, arms, even the knees. But not one verse for the poor foot. Why do you think that is?

Karen - Priorities, I suppose.

Denys - Did you think you would make one?

Karen - Problem is there's nothing to rhyme it with.

Denys - Put.

Karen - It's not a noun.

Denys - Doesn't matter.

Karen - Along he came and he did put... upon my farm his clumsy foot.


É a grande utopia do cinema de Sydney Pollack que eu adoro. Disfarçado de fantasia romântica masculina perpassa o desejo do homem e da mulher se encontrarem e estabelecerem uma relação entre iguais (foto da rodagem de Out of Africa por Douglas Kirkland, 1985; argumento de Kurt Luedtke que adaptou Karen Blixen).

Arquivo do blogue